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ENTENOSE DE JUNÇÃO

A estenose de junção uretero-pélvica, mais conhecida como estenose de JUP é uma doença urológica relativamente comum e que se caracteriza pelo fechamento parcial ou total da junção entre a pelve renal e o ureter. Assim, a urina produzida no rim não tem livre passagem para a bexiga, levando a um acúmulo urinário dentro da pelve renal e, conseqüentemente, uma dilatação renal (hidronefrose).

Dependendo do grau de obstrução, pode ocorrer perda parcial ou total da função renal. Além disso, devido à urina estagnada dentro da pelve renal, podem ocorrer complicações secundárias como infecção urinária de repetição e formação de cálculos renais (pedras nos rins).

A maioria dos casos é congênita, ou seja, desde o nascimento e que geralmente não são diagnosticados até se alcançar a vida adulta. Um menor número de casos tem origem secundária, causada após cirurgias sobre o rim ou pela passagem de cálculos. O tratamento padrão-ouro para o reparo da estenose de JUP tem sido por várias décadas a pieloplastia aberta, com taxa de sucesso acima de 90%. Não obstante, o acesso aberto apresenta uma morbidade pós-operatória elevada, representada principalmente pela dor pós-operatória intensa, longo tempo de internamento e de retorno às atividades normais e resultado estético ruim devido à flacidez da parede abdominal causada pela incisão lombar (figura 1)

Na intenção de diminuir esta morbidade, alguns tratamentos endourológicos (endourologia) foram desenvolvidos, como a endopielotomia endoscópica anterógrada e retrógrada. No entanto, essas técnicas têm taxas de sucesso de apenas 70%-89%, quando comparadas com a cirurgia aberta.

Após a primeira nefrectomia (retirada cirúrgica de um rim) realizada por via laparoscópica em 1990, esta via de acesso ganhou grande impulso na urologia. Em 1993, Schuessler realizou a primeira pieloplastia laparoscópica. Desde então, diversos grupos em todo o mundo têm relatado resultados excelentes com a realização da pieloplastia laparoscópica para o tratamento da estenose de JUP. A pieloplastia laparoscópica desmembrada tem o potencial para reproduzir as taxas de sucesso da pieloplastia aberta e simultaneamente diminuir a morbidade pós-operatória em pacientes que são candidatos à cirurgia aberta.

A cirurgia consiste na remoção do segmento estenosado na junção uretero-pélvica e sutura cuidadosa da pelve renal no ureter, deixando-se um dreno interno chamado cateter duplo J, para moldar a sutura e evitar um fechamento secundário (figura 2).

Após cerca de seis semanas, o duplo J é removido por cistoscopia. Toda a cirurgia é realizada por via laparoscópica. O tempo médio de cirurgia e de internamento é de duas horas e de dois dias, respectivamente. Geralmente a dor pós-operatória é mínima, não necessitando analgésicos, pois toda a cirurgia é feita com apenas 3-4 incisões de meio a um centímetro cada (figura 3).


Cerca de 90% dos pacientes conseguem após a cirurgia, manter estável e até mesmo recuperar uma parte da função renal no rim afetado, evitando assim, a perda do rim.



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