AS DOENÇAS UROLÓGICAS


A PRÓSTATA é uma glândula do tamanho de uma noz, situada abaixo da bexiga e que tem como função a produção de parte do líquido que forma o sêmen. As doenças da próstata são comuns e atingem desde o homem jovem até o idoso, predominando a partir dos 50 anos. A principais doenças que acometem a próstata são as hiperplasias prostáticas benignas (HPB), as prostatites (infecções na próstata) e o câncer prostático.


PROSTATITE
      A PROSTATITE é o termo utilizado para designar inflamações da próstata. Além dos sintomas obstrutivos (semelhantes à HPB), geralmente os ocorrem vários sintomas irritativos. Os mais comuns são: necessidade freqüente e urgente de urinar, dor e queimação ao urinar, dor no baixo ventre e nos testículos e até febre. De modo geral, as prostatites são tratadas com antibióticos por longo prazo, antiinflamatórios, banhos de assento e antiespasmódicos vesicais. Casos graves necessitam hospitalização e até procedimentos cirúrgicos para drenagem da urina, nos casos de retenção urinária. Podem ser causadas principalmente por várias bactérias, principalmente a E. coli e bactérias causadoras de DST (gonococos, clamídia, micoplasma, ureaplasma).


HIPERPLASIA PROSTÁTICA (HPB)
      A HPB é o crescimento benigno da próstata e que inevitavelmente se inicia a partir dos 40 anos de idade. Atinge 50% dos homens aos 60 anos e 90% dos homens entre 70 e 80 anos. O crescimento da próstata comprime a uretra prostática determinando uma série de sintomas obstrutivos. Os mais comuns são: levantar várias vezes à noite para urinar, diminuição da força e do calibre do jato urinário, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, gotejamento ao final da micção e até incapacidade de urinar (retenção urinária). Baseado em uma escala de sintomas, a HPB pode ser tratada de várias formas, desde a simples observação clinica ou tratamento medicamentoso, até o tratamento cirúrgico definitivo. O tratamento cirúrgico pode ser feito por endourologia ou pelo procedimento aberto, de acordo com o peso prostático.
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CÂNCER DE PRÓSTATA

      Dados recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde, mostram que o câncer de próstata já é o segundo câncer mais comum em homens, precedido apenas pelas neoplasias de pele não-melanomas. Pior do que isto é o fato que o câncer prostático hoje representa a segunda causa de mortes por câncer no Brasil, sendo superado apenas pelo câncer do pulmão. Houve um aumento na taxa de mortalidade por esta doença de 139% entre os anos de 1979 e 1999.

      Os principais fatores envolvidos com o aparecimento do câncer prostático são os fatores hereditários, a disfunção hormonal, as influências do meio ambiente e a ingestão de alimentos ricos em gorduras.

      Não existe até o presente momento, uma forma definitiva para a prevenção do câncer de próstata. Assim, é primordial o exame rotineiro da próstata (check-up da próstata) para fins de detecção precoce e tratamento curativo adequado.

      Na fase inicial do câncer prostático, praticamente não existe sintoma específico, o que muitas vezes contribui para o não comparecimento do homem ao consultório urológico para a realização do exame preventivo. Isto é muito importante, pelo fato de ser exatamente nesta fase que existe uma maior chance de cura com a instituição do tratamento apropriado.

      A cirurgia (prostatectomia radical) é o tratamento mais indicado mundialmente para o tratamento dos tumores em estágios iniciais, pois este método apresenta uma taxa de cura de cerca de 85% ao final de 10 anos de seguimento. A radioterapia pode ser realizada pelo método externo convencional ou pelo implante de sementes radioativas dentro da próstata (braquiterapia). Dados recentes mostram que a taxa de cura em 10 anos de seguimento com este método são de apenas 60-65%.

      A prostatectomia radical aberta é realizada através de uma incisão com cerca de 20cm que vai desde a cicatriz umbilical até próxima a base do pênis.


Resultado estético na cirurgia aberta
para o tratamento do câncer de próstata


      Mais recentemente, esta mesma cirurgia tem sido realizada pela via laparoscópica (laparoscopia urológica) (vídeo), obtendo resultados de cura iguais aos observados na cirurgia aberta, mas com grandes vantagens referentes ao grau de dor pos-operatoria, menor tempo de internamento e de retorno às atividades normais e melhor resultado estético, já que a laparoscopia é feita com algumas pequenas incisões (até 1cm) no abdome. Outra grande vantagem é a observação de melhores taxas de potência sexual pós-operatória com esta técnica, relatada por alguns autores, pois a laparoscopia aumenta a visualização das estruturas em torno de 20 vezes, facilitando assim a localização e preservação dos nervos que são responsáveis pela ereção peniana.



CÁLCULOS URINÁRIOS

      Os cálculos urinários estão localizados principalmente nos rins e ureteres e mais raramente, na bexiga.


CÁLCULO RENAL CÁLCULO URETERAL


      O principal sintoma dos cálculos renais e ureterais é a cólica nefrética. Se caracteriza por forte dor nas costas, geralmente de início abrupto, associado ou não com dor testicular nos homens ou dor vaginal nas mulheres. Usualmente tal dor é constante, não melhorando com a mudança de posicionamento do paciente. Além disso, náuseas, vômitos, urina escura e até febre acompanham o quadro.

      Até cerca de 15 anos atrás, cólica renal era sinônimo de sofrimento tanto pela própria dor quanto também devido ao tratamento empregado para livrar o paciente do cálculo. Os pacientes eram obrigados a esperar um longo tempo na esperança de o cálculo ser eliminado espontameamente ou, nos casos mais complicados, eram submetidos a cirurgias abertas com grandes incisões para a retirada das pedras. Tais cirurgias acarretavam o afastamento dos pacientes de suas atividades normais por um longo período (cerca de 2 meses), além da intensa dor pós-operatória e do resultado estético muito ruim.


Cirurgia aberta para tratamento de doenças nos rins ou adrenais Visão cirúrgica do rim na cirurgia aberta


      Atualmente é muito raro a necessidade de se ter que operar o paciente pela via aberta. Atualmente, tais cálculos são tratados por procedimentos chamados endourológicos (endourologia) ou através de fragmentação externa por ondas de choque (litotripsia extracorpórea). Tais tratamentos resolvem os problemas dos cálculos, de forma prática, rápida, indolor, com excelente resultado estético, com alta hospitalar precoce e principalmente, permitindo o retorno do paciente às atividades habituais rapidamente.

      Para cálculos dentro do rim com menos de 2 centímetros e cálculos localizados no ureter superior, o tratamento adequado é a litotripsia extracorpórea. Porém, cálculos renais com mais de 2 cm, o tratamento de eleição é a cirurgia renal percutânea (endourologia) (vídeo).

      Para os cálculos localizados no ureter médio e inferior, o tratamento de eleição é a ureteroscopia (endourologia).



DISFUNÇÕES SEXUAIS
      As disfunções sexuais são representadas principalmente pela disfunção erétil (impotência) e pela ejaculação precoce.

DISFUNÇÃO ERÉTIL
      Disfunção erétil é a incapacidade de obter ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. Sua freqüência aumenta com a idade, atingindo 25 % dos homens aos 65 anos.

      Podem ser causadas por disturbios orgânicos (70-80%) ou psicológicos (20-30%). As principais causas orgânicas são: doenças vasculares (ex: arteriosclerose), diabetes, cirurgias pélvicas radicais, traumas da coluna, medicamentos, álcool e drogas. O fumo também pode atrapalhar o processo de ereção. As psicológicas são: ansiedade, depressão, tensão, stress, problemas no relacionamento do casal e medo de falha no ato sexual. Ambas as causas podem aparecer simultaneamente.

      Atualmente a investigação e o tratamento foram simplificados, mas o urologista é o especialista mais indicado para a avaliação da DE. As principais drogas orais disponiveis no mercado são o sildenafil, o vardenafil e o tadalafil. De forma geral, quase todos os pacientes podem usar estas drogas, com exceção dos cardiopatas que fazem uso de medicações à base de nitratos.

      Seus efeitos colaterais são leves e pouco freqüentes, sendo os mais comuns: dor de cabeça, rubor facial, náusea e congestão nasal. O tratamento hormonal só está indicado para os casos comprovados de distúrbios endocrinológicos.

      A injeção intracavernosa de substâncias vasoativas são utilizadas em casos específicos, principalmente naqueles que não obtiveram resposta satisfatória com as drogas orais.

      A prótese peniana só é utilizada atualmente em casos bem específicos, quando houve falha nas outras formas de tratamento. Existem vários tipos de próteses no mercado. Geralmente são classificadas como semi-rígidas e infláveis, ambas apresentando vantagens e desvantagens.

A principal indicação para a colocação de prótese nos dias atuais é nos casos de disfunção erétil severa pós-prostatectomia radical para o tratamento de câncer de próstata.

EJACULAÇÃO PRECOCE (EP)

      Se caracteriza pelo orgasmo com ejaculação, antes, durante ou logo após a penetração — com o mínimo de estímulo sexual e sem ter desejado. Esse descontrole deve ser persistente, repetitivo e causar sofrimento acentuado ou dificuldade interpessoal. Segundo a psiquiatra Carmita Abdo, cerca de 25,8% dos brasileiros admitiram sofrer de ejaculação precoce.

      Acredita-se que 100% dos casos de EP seja devido a fatores emocionais e de condicionamento, não tendo sido comprovado cientificamente nenhuma causa orgânica.

      A EP tem cura. Pode ser tratada com psicoterapia (mais indicado), farmacoterapia ou com uma combinação das duas. Há dois tipos de ejaculador precoce: o primário, que apresenta a disfunção desde o início da vida sexual, e o secundário, aquele que adquiriu o problema depois de ter tido relações satisfatórias por alguns anos. O tratamento medicamentoso nos casos secundários geralmente é mais eficiente que nos primários. Mas os especialistas afirmam que a combinação entre as duas terapias costuma ter mais sucesso.


UROGINECOLOGIA

      Uroginecologia é a área da urologia que trata dos distúrbios uro-genitais femininos. Dentre vários, o mais comum é a incontinência urinária.

      A Incontinência urinária (IU) é a perda sem querer (involuntária) de urina. Mais comum em mulheres acima dos 50 anos de idade. As causas mais comuns são: lesão do assoalho pélvico devido a gravidez e problemas no parto, principalmente o parto vaginal, menopausa, radioterapia pélvica, distúrbios neurológicos, dentre outros.

Os principais tipos de IU são:
1) Incontinência urinária de esforço (IUE) — o sintoma inicial é a perda de urina quando a pessoa tosse, ri, faz exercício, movimenta-se;
2)  Incontinência urinaria de urgência — caracteriza-se pela vontade súbita de urinar que ocorre em meio às atividades diárias e a pessoa perde urina antes de chegar ao banheiro;
3)  Incontinência mista — associa os dois tipos de incontinência acima citados e o sintoma mais importante é a impossibilidade de controlar a perda de urina pela uretra.

       O diagnóstico é feito através da história clínica, exame físico e alguns exames laboratoriais, principalmente o estudo urodinâmico.

      O tratamento da IU é baseado na sua causa. Assim, na IUE cuja principal causa é uma lesao anatômica do assoalho pélvico, o tratamento principal é o cirúrgico. Atualmente o mais utilizado e indicado é a realização de um sling sub-uretral, com a colocação de uma faixa por baixo da uretra para fixá-la no espaço atrás do púbis.




       O tratamento de IU por urgência é feito pela administração de drogas anticolinérgicas, principalmente a oxibutinina e a tolterodina. Nos casos de IU mista, geralmente o tratamento é feito pela associacao das técnicas. Em muitos casos, o tratamento paralelo com fisioterapia pélvica (biofeedback, eletroestimulação) é indicado.


INFERTILIDADE MASCULINA

      Infertilidade conjugal é definida como a falta de gestação após 12 meses de tentativas regulares (2-4 relações sexuais por semana), sem o uso de métodos contraceptivos. Todo casal infértil deve ser investigado em conjunto, por equipes multidisciplinares. As principais causas nas mulheres são: problemas na ovulação (35%), obstrução tubária (35%), endometriose (20%), outras (10%).

      As causas principais nos homens são: sem causas aparentes (48,5%), sêmen alterado idiopático (26,4%), varicoceles (12,3%), infecções (6,6%), imunológicos (3,1%), outros. O fator masculino isolado ou em associação com o fator feminino, está presente em cerca de 50% dos casos.


VARICOCELE

      A varicocele se caracteriza pela dilatação das veias do plexo pampiniforme que drenam o sangue dos testículos e é a principal causa detectável de infertilidade masculina. O sangue acumulado dentro do testículo causa um aquecimento testicular, lesando as células dos túbulos seminíferos, onde os espermatozóides são produzidos. Além disso, este sangue acumulado é pouco oxigenado, prejudicando mais ainda a produção dos espermatozóides. O diagnóstico é feito através do exame físico, ultrasom doppler e espermograma. Assim, as principais consequências das varicoceles são dor testicular, diminuição na produção dos espermatozóides e atrofia testicular. Nestes casos o tratamento indicado é o cirúrgico com a ligadura das veias dilatadas do plexo pampiniforme.


      A infertilidade masculina também pode ser classificada como obstrutivas e não-obstrutivas. Nas obstrutivas, as causas mais comuns são: pós-vasectomia, agenesia dos deferentes, obstrução do ducto ejaculador e iatrogênicas. São tratadas de acordo com a patologia causadora e/ou com punção de epidídimo.

      Dentre as causas não-obstrutivas (falência testicular), as mais comuns são: centrais (TU hipófise, S. Kallmann, outras) e testiculares (varicoceles, pós-orquite, microdeleções do cromossomo Y, pós-torção testicular, outras).

PÓS-VASECTOMIA
      A vasectomia é um método altamente eficaz para causar infertilidade masculina. Trata-se de procedimento simples, feito a nível ambulatorial com anestesia local. Não causa nenhuma alteração na atividade sexual do homem, apenas ocasionando um fechamento dos ductos deferentes, por onde passam os espermatozóides na hora da ejaculação.

      Pacientes que foram submetidos a vasectomia e que queiram voltar a ser férteis, podem ser submetidos a dois procedimentos, dependendo basicamente da escolha pessoal de cada um. A reversão da vasectomia é um procedimento cirúrgico microscópico, onde é realizada uma recanalização dos deferentes. A punção de epidídimo é um tratamento simples, realizado com anestesia local e punção com aspiração dos espermatozóides a nível testicular. Os espermatozóides capturados são injetados no óvulo feminino e transferidos ao útero por técnicas de fertilização assistida.


INFECÇÕES UROLÓGICAS

      Várias são as infecções que podem acometer o trato urogenital. São subdivididas em infecções urinárias e sexualmente transmissíveis (DST). Dentre as urinárias, as mais comuns são as cistites, as pielonefrites e as prostatites. Já dentre as DST, as mais comuns são as uretrites, as orquiepididimites e as prostatites.

      As infecções urinárias são causadas principalmente pela E. coli, proteus, klebsiella e enterococos. Quando acometem apenas a bexiga, são chamadas cistites e quando atingem os rins, chamam-se pielonefrites. As cistites geralmente causam dor ao urinar, além de micções freqüentes. As pielonefrites são mais sérias, podendo causar calafrios e febre alta, com necessidade de internamento para tratamento com antibiótico injetável.

      São tratadas com antibióticos orais ou injetáveis por tempo variável, dependendo do tipo de infecção e gravidade do caso.

      As DST são adquiridas na grande maioria dos casos através do contato sexual com pessoas portadoras da doença. A mais comum é a uretrite, que se caracteriza por ardor uretral e saída de secreção pela uretra. Quando não tratadas ou tratadas inadequadamente, podem evoluir para orquiepididimites e prostatites, causando problemas sérios, como abscessos testiculares e infertilidade. Os germes mais comuns são o gonococo, micoplasma, ureaplasma e clamidia.

      São tratadas com antibióticos específicos para o germe causador e a relação sexual é proibida até se obter uma comprovação da cura.

      Além das DST comuns, existem ainda o herpes genital e o papiloma vírus humano (HPV).

      O herpes genital é causado pelo vírus do herpes simples. Geralmente o diagnóstico é clínico, onde observamos lesões bolhosas únicas ou agrupadas em alguma parte da área genital. Não existe cura definitiva para este vírus. O tratamento local ou sistêmico é apenas paliativo.


Lesões bolhosas herpéticas em pênis


      O HPV também é um vírus que é transmissível sexualmente. Existem vários subtipos, mas os mais importantes são os subtipos 16 e 18, pois estes têm o poder de desencadear câncer peniano (foto abaixo) ou de colo de útero nas mulheres. Existem 3 apresentações clínicas do HPV, mas as mais importantes são as formas visíveis (condilomas) e a forma sub-clínica (invisível a olho nu). O diagnóstico definitivo é feito pela penioscopia. Este exame é realizado com uma lente de grande aumento, após a aplicação de ácido acético à 5%. O local mais comum da presença do HPV no homem é no pênis, principalmente no prepúcio. Assim, nos casos de HPV no prepúcio, o melhor tratamento é a postectomia (cirurgia para fimose). Para outros casos, o HPV pode ser tratado por aplicações tópicas de podofilina, ATA ou com cremes à base de 5-fluorouracil.


Câncer peniano decorrente da infecção pelo HPV



TUMORES UROGENITAIS
      Qualquer órgão que compõem o sistema urogenital pode ser acometido por tumores benignos ou malignos.



TUMORES RENAIS
      Os principais são os cistos renais (grande maioria são benignos), o adenocarcinoma renal e os tumores de pelve renal (malignos).
      Os cistos renais estão presentes em até 50% da população e se caracterizam por uma lesão renal cística, semelhante a uma bolha de queimadura na pele. Geralmente são diagnosticados incidentalmente através de ultrassonografia realizada por outro motivo. Só causam algum sintoma quando são muito grandes ou quando ocluem a saída da urina do rim (cistos peripélvicos). Podem ser classificados em quatro tipos, de acordo com Bosniak. Os cistos tipo III e IV tem uma grande chance de ter câncer renal associado, portanto necessitam de tratamento cirúrgico, o qual é feito pela laparoscopia (vídeo).


Tomografia mostrando cisto em rim direito


adenocarcinoma RENAL (CÂNCER DE RIM)

      O adenocarcinoma renal é a lesão sólida mais comum e trata-se de um tumor maligno. No ato do diagnóstico inicial, cerca de 50% dos casos estão confinados no interior do rim. Em 25% dos casos, o tumor já saiu do rim e finalmente, 25% já apresenta doença metastática, principalmente para pulmões e ossos. Em geral, a sobrevida em cinco anos é de 60% para todos os casos diagnosticados, subdivididos da seguinte forma: 90% para os tumores localizados, 60% para os tumores já fora do rim e 9% para os tumores metastáticos.


Tomografia mostrando tumor em rim direito
Peça cirúrgica de rim direito com tumor


      O tratamento padrão é a nefrectomia radical, a qual pode ser feita pela técnica aberta ou por laparoscopia (vídeo). A técnica aberta é feita através de uma grande incisão lombar ou no abdome anterior, a qual apresenta uma alta morbidade, com intensa dor pós-operatória, flacidez permanente da parede abdominal, longo tempo de recuperação e resultado estético ruim.


Incisão lombar para cirurgia renal aberta Resultado estético da cirurgia renal aberta


       Atualmente, o procedimento de escolha em todo o mundo, é a nefrectomia por laparoscopia. A grande vantagem desta técnica é apresentar uma taxa de morbidade muito inferior quando comparada com a técnica aberta convencional, além de apresentar resultados oncológicos iguais.


TUMOR PELVE RENAL

      O tumor de pelve renal é um tumor de urotélio. Geralmente é diagnosticado devido a hematúria. Pode vir associado a tumor de bexiga e está relacionado ao tabagismo. Seu tratamento principal é a nefroureterectomia, a qual é feita atualmente por laparoscopia (vídeo).


Tomografia mostrando tumor
em pelve renal direita
Peça cirúrgica mostrando tumor
dentro da pelve renal direita


TUMORES DE BEXIGA

      O câncer de bexiga vem aumentando a sua incidência, tendo no fumo a causa mais importante. É a 4ª causa de câncer no homem e a oitava na mulher, atingindo-os principalmente a partir da quinta década de vida.

      É um tumor agressivo e que deve ser tratado rapidamente e ser muito bem acompanhado. O tratamento depende do grau histológico e do estadiamento.

      A primeira medida terapêutica é a RTU de bexiga (endourologia), que nos possibilita saber o grau histológico e também se existe infiltração muscular. Com isto podemos classificá-los em tumores superficiais e profundos (invasivos). A partir daí, definimos o tratamento. Sendo conservador para os tumores superficiais e radicais para os tumores profundos. Em alguns casos, pode ser necessário a complementação do tratamento com radio e/ou quimioterapia.


Tumor superficial de bexiga
Tumor invasivo de bexiga


TUMORES DE PROSTATA
      
Ver câncer de próstata



TUMORES DE PÊNIS
      O câncer de pênis é considerado uma doença de país subdesenvolvido, porque está intimamente ligado à higiene e ao grau cultural. Mais da metade das paceiras dos pacientes portadores desta doenca, tem câncer de colo uterino e esta associação está intimamente ligada a presenca do papiloma virus humano (HPV).

      Cerca de 75% a 90% dos pacientes que apresentam câncer de pênis são portadores de fimose, enquanto que é praticamente zero a incidência naqueles que sofreram circuncisão no período neonatal.

      No Brasil ele representa 2% dos cânceres do homem e é cinco vezes mais freqüente nas regiões Norte, Nordeste do que no Sul e Sudeste. O diagnóstico deve ser realizado o mais precoce possível, e o tratamento é sempre cirúrgico.


TUMORES DE TESTÍCULO

      Responsável por 0,8% dos tumores que envolvem os homens, representam o câncer mais freqüente em indivíduos com idade entre 15 e 35 anos. A sua incidência aumenta de 25 a 40 vezes em indivíduos com criptorquidia e de 6 vezes em homens com testículos atróficos.

      Os tumores germinativos do testículo são divididos, na prática, em 2 grupos: seminomas (± 40%) e não-seminomas (± 40%), que diferem entre si por vários aspectos. Os tumores não-seminomatosos abrangem quatro subtipos: carcinoma embrionário, coriocarcinoma, teratocarcinoma e teratoma, apresentados aqui em ordem decrescente de agressividade.

      Cerca de 20% dos pacientes apresentam neoplasias mistas, seminoma associado à não-seminomas.

      O tratamento inicial é sempre orquiectomia radical por via inguinal e posteriormente, dependendo de vários fatores, será realizado quimioterapia, radioterapia ou linfadenectomia retroperitoneal, a qual pode ser feita por laparoscopia.


Peça cirúrgica com seminoma testicular


TUMORES DAS GLÂNDULAS ADRENAIS

      Podem estar localizados no córtex ou na medula adrenal. Os tumores corticais mais comuns são os produtores de aldosterona (S. Conn), os de glicocorticóides (S. Cushing) e os produtores de andrógenos (virilizantes). O tumor da medula adrenal mais comum é o feocromocitoma (SNSimpático- crista neural).

      A retirada da adrenal (adrenalectomia) é feita por laparoscopia e é indicada nos seguintes casos — tumores funcionais (Síndrome de Conn, Síndrome de Cushing, virilizantes e feocromocitomas) e em alguns tumores sem função, também chamados incidentalomas ( > 5 cm, < 5 cm com crescimento progressivo e metástases isoladas de TU não-adrenal).


DOENÇAS NOS TESTÍCULOS
      As doenças testiculares mais comuns são as varicoceles, tumores de testículo e orquiepididimites.

ORQUIPIEDIDIMITES
      
      Orquiepididimite (OE) é um processo inflamatório ou infeccioso envolvendo o testículo e/ou o epidídimo.

      A causa mais comum de orquite viral é a caxumba (parotidite). Dos homens que desenvolvem caxumba após a puberdade, 15 a 25% poderão ter orquite durante a evolução da doença. As OE poderão ser decorrentes de infecções prostáticas transmitidas sexualmente, como a gonorréia e a clamídia. Agentes bacterianos causadores de infecção urinária como Escherichia coli também são comumente encontrados nas OE.

      Na OE aguda, há dor forte de começo insidioso, gradativa, unilateral e acompanhada de aumento de volume do saco escrotal. O paciente relata uma sensação de peso no testículo. A dor se irradia para a região inguinal (virilha) do mesmo lado. Febre e mau estado geral acompanham o quadro clínico. Na forma crônica, os sintomas podem estar ausentes. O paciente pode manifestar desconforto local ao manusear o testículo ou o epidídimo.

      O tratamento inclui sempre repouso geral, repouso sexual, suspensório escrotal e alívio da dor com analgésicos e antinflamatórios. Quando a origem for bacteriana o uso de antibióticos está indicado. Se a OE for decorrente de uma doença sexualmente transmitida, a parceira deverá ser tratada concomitantemente.

      Nas OE virais, não há indicação de antibióticos. São utilizadas as medidas gerais já descritas.

      A infertilidade e a atrofia (diminuição do volume) dos testículos são freqüentes. A OE pode evoluir com a formação de abscesso. Neste caso a drenagem cirúrgica está indicada. Em casos extremos, a orquiectomia (retirada do testículo) é necessária.



doenÇas penianas
      As doenças penianas mais comuns são a fimose, as balanites e o câncer de pênis.

fimose
      A fimose se caracteriza por um estreitamento do prepúcio em sua porção distal, constituindo um anel que dificulta ou impede a exteriorização da glande. A fimose pode ser classificada em congênita ou adquirida, sendo esta última em decorrência de repetidos episódios de infecção local (postites), ou ferimentos secundários a tentativas de expor a glande, acarretando fibrose e conseqüente estenose prepucial.

balanites

      As balanites são inflamações agudas ou crônicas da glande, podendo também acometer o prepúcio, quando são denominadas balanopostites, principalmente nos homens portadores de fimose. As principais causas de balanites são infecciosas, traumáticas, neoplásicas, induzidas por drogas e auto-imunes. A balanite fúngica causada por Candida sp é a forma mais comum. O quadro clínico é típico e apresenta-se com eritema e edema da epiderme, que fica de cor vermelho-viva e friável, às vezes com induto branco facilmente removível na área mucosa. Pode acometer a glande, o prepúcio, e as pregas inguinais.


insuficiÊncia renal crÔnica (IRC)

      A insuficiência renal crônica (IRC) representa a falência da função dos rins, que pode ser parcial ou total. A IRC total se caracteriza por uma taxa de filtração glomerular menor que 10 ml/min e/ou uma creatinina sérica maior que 8 mg/dl.

      As formas de tratamento para IRC total são a diálise e o transplante renal. Dentre os métodos dialíticos, a hemodiálise é a forma mais empregada em todo o mundo.

      O transplante renal representa a única forma de tratamento capaz de livrar o portador de IRC do tratamento dialítico. Este pode ser feito a partir de rins de doadores cadavéricos ou doadores vivos. O transplante intervivos apresenta uma maior sobrevida do rim transplantado e do paciente receptor ao longo dos anos.

      A retirada do rim do doador-vivo (nefrectomia) é considerada uma cirurgia de alta complexidade, pois submete um ser humano totalmente saudável a um procedimento cirúrgico de alta complexidade em benefício de outro. Por várias décadas, este procedimento tem sido realizado através de uma incisão ampla no abdome, acarretando uma alta taxa de morbidade para o doador.

      Mais recentemente, a nefrectomia tem sido feita por laparoscopia (vídeo) em todo o mundo e tem se mostrado eficaz em reproduzir os resultados obtidos pela técnica convencional e, além disso, têm demonstrado várias outras vantagens, como por exemplo, menor morbidade pós-operatória, menor tempo de internação hospitalar, retorno mais rápido às atividades habituais e finalmente, melhor resultado estético.

Estenose de junÇÃO URETERO-PÉLVICA

A estenose de junção uretero-pélvica, mais conhecida como estenose de JUP é uma doença urológica relativamente comum e que se caracteriza pelo fechamento parcial ou total da junção entre a pelve renal e o ureter. Assim, a urina produzida no rim não tem livre passagem para a bexiga, levando a um acúmulo urinário dentro da pelve renal e, conseqüentemente, uma dilatação renal (hidronefrose).

Dependendo do grau de obstrução, pode ocorrer perda parcial ou total da função renal. Além disso, devido à urina estagnada dentro da pelve renal, podem ocorrer complicações secundárias como infecção urinária de repetição e formação de cálculos renais (pedras nos rins).

 A maioria dos casos é congênita, ou seja, desde o nascimento e que geralmente não são diagnosticados até se alcançar a vida adulta. Um menor número de casos tem origem secundária, causada após cirurgias sobre o rim ou pela passagem de cálculos. O tratamento padrão-ouro para o reparo da estenose de JUP tem sido por várias décadas a pieloplastia aberta, com taxa de sucesso acima de 90%. Não obstante, o acesso aberto apresenta uma morbidade pós-operatória elevada, representada principalmente pela dor pós-operatória intensa, longo tempo de internamento e de retorno às atividades normais e resultado estético ruim devido à flacidez da parede abdominal causada pela incisão lombar (figura 1)


Na intenção de diminuir esta morbidade, alguns tratamentos endourológicos (endourologia) foram desenvolvidos, como a endopielotomia endoscópica anterógrada e retrógrada. No entanto, essas técnicas têm taxas de sucesso de apenas 70%-89%, quando comparadas com a cirurgia aberta.

Após a primeira nefrectomia (retirada cirúrgica de um rim) realizada por via laparoscópica em 1990, esta via de acesso ganhou grande impulso na urologia. Em 1993, Schuessler realizou a primeira pieloplastia laparoscópica. Desde então, diversos grupos em todo o mundo têm relatado resultados excelentes com a realização da pieloplastia  laparoscópica para o tratamento da estenose de JUP. A pieloplastia laparoscópica desmembrada tem o potencial para reproduzir as taxas de sucesso da pieloplastia aberta e simultaneamente diminuir a morbidade pós-operatória em pacientes que são candidatos à cirurgia aberta.


A cirurgia consiste na remoção do segmento estenosado na junção uretero-pélvica e sutura cuidadosa da pelve renal no ureter, deixando-se um dreno interno chamado cateter duplo J, para moldar a sutura e evitar um fechamento secundário (figura 2) (vídeo).


Após cerca de seis semanas, o duplo J é removido por cistoscopia. Toda a cirurgia é realizada por via laparoscópica. O tempo médio de cirurgia e de internamento é de duas horas e de dois dias, respectivamente. Geralmente a dor pós-operatória é mínima, não necessitando analgésicos, pois toda a cirurgia é feita com apenas 3-4 incisões de meio a um centímetro cada (figura 3).

Cerca de 90% dos pacientes conseguem após a cirurgia, manter estável e até mesmo recuperar uma parte da função renal no rim afetado, evitando assim, a perda do rim.


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